
Chega a 526 o número de animais disponíveis para adoção na cidade.
O levantamento foi feito pelo Jornal de Piracicaba com base nos dados fornecidos pelas entidades de proteção animal do município.
O total de exemplares adotáveis corresponde a apenas 1,7% dos cerca de 30 mil cães e gatos abandonados no município.
Especialistas afirmaram que a situação tende a se agravar pela ausência de programas permanentes de controle de natalidade somada a irresponsabilidade dos tutores.
Foram ouvidas seis entidades, entre elas o Canil Municipal, Gatos do Cemitério, GCAA (Grupo de Controle de Animais Abandonados no Campus) da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), SPPA (Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais), Cemitério Paraíso do Amigo Parque de Animais e Vira Lata Vira Vida.
Luis Américo Chitolina, diretor da SPPA disse que a adoção deve ser feita de forma consciente.
“Adotar um animal de estimação é um gesto nobre, mas não deve ser feito por impulso. Levar para casa uma criação é um compromisso sério que vai se estender por toda a vida do animal. Por isso recomendamos que as pessoas evitem atitudes impensadas e reflitam muito antes de realizar a adoção. O apelo das crianças também deve ser ponderado já que elas são as motivadoras de grande parte das adoções, sem que tenham como se responsabilizar pelos cuidados com os animais”, afirmou.
A responsável pelo abrigo do Cemitério Paraíso do Amigo Parque de Animais, Myriam Suely Vendemiatti, afirmou que a entidade observa alguns critérios antes de liberar o animal para adoção.
“Não doamos animais simplesmente para nos vermos livres deles. A adoção acontece apenas para famílias da cidade depois de nos certificarmos que ela terá condições de zelar pelo bichinho. Além disso, esporadicamente as visitamos para nos certificarmos que o animal foi bem acolhido”, disse.
O GCAA da Esalq, age de forma semelhante, conforme explicou a coordenadora Alice Manochio.
“A população precisa entender que a posse de um animal não pode ser vista como uma peça de roupa que quando se enjoa basta trocar. É preciso ter consciência e senso de responsabilidade.”
A Vira Lata Vira Vida é das poucas que implanta o chip de identificação em todos os animais adotados.
De acordo com Vanessa Felipe Paulete Roveri, responsável pelas adoções da entidade.
“Infelizmente não é raro que os animais adotados sejam encontrados abandonados pelas ruas. O chip nos possibilita identificar com precisão quem o adotou”, afirmou.
ESPECIAIS — Comuns nos abrigos, cães e gatos especiais ou idosos raramente são adotados.
“Temos muitos animais idosos, cardíacos, cegos ou amputados. Infelizmente estes estarão fadados a viver para sempre no abrigo”, disse Vanessa.
A razão pela recusa por estes animais, segundo a coordenadora do GCAA se dá devido aos cuidados que eles demandam.
“Poucas pessoas estão dispostas a enfrentar a luta de criar um animal doente ou com alguma deficiência.O preconceito ainda é grande, mas o que nós, protetores, tentamos mostrar, é que esses animais podem dar carinho e amor como todos os outros considerados perfeitos”, disse Alice.
CAMPANHA — A campanha Adotar é o Bicho, do Jornal de Piracicaba e da Revista Arraso, soma esforços na luta em prol do cuidado animal.
Toda semana, o JP publica fotos de animais que estão aptos para serem adotados.
“Os excelentes resultados dessa ação demonstram o comprometimento das entidades e demais parceiros e comprovam o crescente interesse da população por essa causa”, disse o gerente de publicidade e mercado leitor do JP, Alex Rodrigues.
FONTE: Jornal de Piracicaba















