70 Anos de História do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba: Gotardo Tosi – o primeiro presidente.

Em janeiro 1945 foi fundada a Associação dos Trabalhadores Metalúrgicos de Piracicaba. O metalúrgico Gotardo Tosi foi fundador, diretor e o terceiro presidente dessa entidade, assumindo sua direção em julho do mesmo ano da fundação. Em 1947, essa associação foi transformada em sindicato – após a solicitação e aprovação do registro no Ministério do Trabalho – e foi convocada uma nova eleição.  Gotardo Tosi se candidatou ao cargo de presidente e venceu com grande maioria dos votos, tornando-se o primeiro presidente eleito do recém-fundado Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do município.

Tosi era piracicabano, nasceu no dia 03 de Agosto de 1917 filho de Hermínio Tosi com Palmira Santini Tosi. Foi operário e também trabalhou como guardador de livros na Oficina Santa Cruz. Aos 30 anos, quando assumiu a presidência do sindicato, já possuía intensa atuação política e um grande envolvimento com o movimento proletário dentro e fora da cidade.

A classe trabalhadora no Brasil ao término do governo de Getúlio Vargas (1930-1945) almejava o fim das dificílimas condições de vida tanto no campo quanto no meio urbano. O Brasil passaria por eleições presidenciais após um longo período da ditadura varguista e nessa época, o comunismo aparecia para muitos operários como uma alternativa possível para a transformação do país em um lugar mais justo e igualitário. Foi em meio a esse cenário que o piracicabano Gotardo Tosi travou próximas relações com o Partido Comunista do Brasil – o PCB.

No mesmo ano que Gotardo Tosi assumiu a presidência da associação dos metalúrgicos em Piracicaba, ele também organizou os trabalhadores da cidade para que esses pudessem ir à capital paulista participar do famoso comício: “São Paulo a Luís Carlos Prestes”. Tal comício, que ficou mais conhecido como “Comício do Pacaembu”, foi realizado com o intuito de prestar homenagem ao principal líder comunista do país que acabava de sair da prisão após a anistia dada por Getúlio Vargas aos presos políticos do período. O evento reuniu no grande estádio de futebol centenas de operários e camponeses que ouviram Luís Carlos Prestes e outras importantes personalidades históricas, como o poeta Pablo Neruda, falar.

Além do histórico Comício do Pacaembu, Gotardo Tosi organizou os Comícios Pré-Constituinte de 1946, que almejavam o fim definitivo da ditadura imposta por Getúlio Vargas, e atuou em comitês populares nos bairros de Piracicaba, batalhando também por melhorias urbanas na cidade.

Na associação e no sindicato, Tosi fez as primeiras assembleias para levantar quais eram as principais dificuldades enfrentadas pelos metalúrgicos nas fábricas, contratou os primeiros advogados e médicos para atenderem os trabalhadores da categoria e organizou as primeiras festas para a família dos metalúrgicos piracicabanos.

Por toda essa atuação no movimento proletário do país, Gotardo Tosi sofreu com o clima de repressão que marcou a Guerra Fria e foi vigiado de perto pela polícia política da época. Hoje, é possível encontrar no Arquivo Público do Estado de São Paulo diversos relatórios escritos por policiais do DEOPS – o antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social – sobre a atuação de Gotardo Tosi. Nessa época, a polícia via como uma ameaça à ordem do Brasil qualquer tipo de mobilização feita por trabalhadores.

Gotardo Tosi atuou no sindicato até meados da década de 1950. Luís Carlos Prestes no “Comício do Pacaembu” em São Paulo defendeu em seu discurso a democracia, o direito de todo o cidadão ao voto, a livre discussão e a livre associação política. É provável que esses também fossem os desejos de Gotardo Tosi que teve sua trajetória marcada pela luta por mudanças e melhorias no mundo do trabalho.

Fonte: Fabiana Junqueira