O Boletim Epidemiológico sobre suicídio, divulgado pelo Ministério da Saúde no ano passado, desvendou estatísticas sobre o grave problema que, historicamente, sempre foi tratado como tabu. O levantamento indicou que, entre 2011 e 2015, foram registrados 55.649 óbitos por suicídio no Brasil, com uma taxa de 5,5 casos a cada grupo de 100 mil pessoas.
Além disso, os dados deram suporte às ações do Setembro Amarelo, Movimento Mundial dedicado à prevenção do suicídio que se repetirá neste ano. Em 2018, campanhas e eventos sobre o tema também serão realizadas em Piracicaba. Um deles será uma palestra com Neury Botega, psiquiatra da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialista em Suicídio, no dia 26, no auditório da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi).
O evento fará parte de uma programação que está sendo organizada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e alguns parceiros (empresas, faculdades e instituições), que incluirá palestras, ações pontuais em locais públicos (como colagem de adesivos em veículos e distribuição de material informativo) e uma solenidade na Câmara de Vereadores.
“A ideia com essas atividades é que a gente vá conversar com a sociedade sobre o assunto, em empresas, escolas, hospitais e outros lugares. A gente precisa conscientizar a população de que é preciso falar sobre nossas angústias”, declarou Eliane Soares, coordenadora de divulgação do Centro de Valorização da Vida (CVV), uma das Instituições à frente do Setembro Amarelo.
De acordo com Eliane, o suicídio é a terceira causa de morte no Brasil. “Ocorre um suicídio a cada 45 minutos no País, por mês são quase 12 mil mortes. Mas em torno de 90% dos suicídios poderiam ter sido evitados se essas pessoas tivessem procurado ajuda médica psiquiátrica, especializada, familiar ou se tivessem procurado o CVV (pelo telefone 188) como alternativa para seus problemas”, afirmou a coordenadora.
As atividades do Setembro Amarelo em Piracicaba ocorrerão em diversos locais da cidade e devem contar com a participação do CVV, da Associação Paulista de Medicina (APM), dos três principais hospitais da cidade (Hospital dos Fornecedores de Cana, Santa Casa de Piracicaba e Hospital Unimed), de Instituições Filantrópicas e de Ensino, além de agentes públicos da Atenção Básica e do setor de Pronto-Atendimento.
Dados
A Organização Mundial da Saúde (OMS) salientou que o suicídio já é um problema de Saúde Pública Mundial. No planeta, anualmente cerca de 800 mil pessoas morrem vítimas de suicídio, segundo estatísticas do órgão internacional. A OMS ainda ressalta que nove em cada 10 registros de suicídio poderiam ser evitados. No Brasil, diariamente uma média de 32 pessoas tira a própria vida, taxa superior às vítimas da Aids e da maioria dos tipos de câncer.
O Boletim do Ministério da Saúde, divulgado em 2017, lembra que o risco de suicídio entre os homens é quatro vezes maior do que entre as mulheres e que, independente de sexo, as maiores taxas de suicídio foram observadas na faixa etária de 70 anos ou mais (8,9 casos para cada 100 mil habitantes). Os Estados com maiores índices de suicídio são: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
É uma campanha de âmbito nacional
O Setembro Amarelo é uma Campanha Global de Conscientização Sobre a Prevenção do Suicídio. E o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é 10 de setembro. Globalmente, a grande mobilizadora do Setembro Amarelo é a Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (Iasp).
A Campanha envolve atividades como a iluminação de monumentos (com luz amarela), caminhadas, passeios ciclísticos, de motocicleta, blitzes informativas e outras ações em locais públicos. No Brasil, seus principais articuladores são o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
FONTE: Gazeta de Piracicaba