Neste mês, as metalúrgicas de Piracicaba deverão conceder férias coletivas a cerca de nove mil trabalhadores. O setor conta com 23 mil empregados na cidade e na região e cerca de 700 empresas. Até a semana passada, 13 delas protocolaram o pedido do descanso temporário a 1.131 funcionários no Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região. A expectativa do presidente da entidade, Wagner da Silveira, o Juca, é que o número de solicitações aumente nesta semana.
“O prazo para as empresas homologarem as férias coletivas é de 10 dias antes da data do início do descanso dos trabalhadores. O documento também precisa ser registrado no Ministério do Trabalho”, contou. Segundo ele, neste ano, o número de trabalhadores que ficarão em casa no período entre o Natal e o Ano-Novo, deve ser um pouco maior que o de 2017, quando aproximadamente oito mil contaram com as coletivas, devendo atingir nove mil pessoas.
“Ainda estão para comunicar o recesso empresas do Parque Automotivo, que tradicionalmente param nesse período e também uma grande multinacional. Elas já sinalizaram que protocolariam os documentos nessa semana”, afirmou.
Para Juca, a demora no protocolo de outras empresas ocorre porque muitas acreditam que com a reforma trabalhista não precisam mais registrar o documento informando sobre as férias coletivas. “É um equívoco. Nessa parte, a lei continua igual e é uma exigência o protocolo também no Ministério do Trabalho”, afirmou.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Metal-Mecânica de Piracicaba (Simespi), Roberto Chamma, afirmou que as férias coletivas, diferentemente das férias normais – que são definidas nas empresas -, precisam dessa formalidade de comunicação ao Sindicato, que também avalia a questão do banco de horas e ao Ministério do Trabalho.
Também não podem ser contabilizados os dias 25 e 1º de janeiro. “Nas férias coletivas, esses feriados não podem ser incluídos na contagem do período de descanso. Por isso, há toda uma legislação diferente”, comentou Chamma.
Manutenção
Roberto Chamma afirmou que as férias coletivas são uma ferramenta conveniente tanto para as empresas quanto para os trabalhadores. No caso das empresas metalúrgicas e Indústrias do setor, há um planejamento estratégico elaborado desde janeiro e que prevê essa parada no final do ano para a manutenção do maquinário e implantação de novos processos de produção e que prevê também as férias dos funcionários durante os 12 meses.
“Principalmente as empresas que trabalham com montagem em série, já programam essa parada para poder dar a manutenção nas máquinas e reiniciar a produção em janeiro. Dividir as férias dos trabalhadores também é uma estratégia para evitar a saída longa durante o período produtivo, em outros meses do ano. Dessa forma, com menos dias de folga, é reduzida a necessidade de ter de contratar alguém sem experiência para cobrir férias de um funcionário qualificado e treinado”, explicou.
Chamma ressaltou, ainda, que para o trabalhador a conveniência das coletivas é poder ficar em casa, com a família neste período natalino e de Réveillon. “Geralmente as férias coletivas têm duração média de 10 dias. Na maioria das empresas, o descanso começa no último dia útil antes do Natal e termina no primeiro dia útil após o Ano-Novo. Poucas param 14 ou 15 dias”, disse.
De acordo com Juca, as férias coletivas chegam como um benefício ao trabalhador. “É também um período que os filhos estão em férias escolares e a esposa também tem férias nessa época do ano. Então ele quer estar em casa e, dessa forma, consegue ter um lazer maior com a família, por mais tempo”, afirmou
Há também as empresas que, por fazerem manutenção para as metalúrgicas, não param nesse período e os trabalhadores descansam somente nos feriados, segundo Chamma. Juca lembrou que é importante esse trabalho de manutenção, porque faz revisão das máquinas e as alinha à nova produção que começa no Ano Novo. “É por esse motivo que a grande maioria dos metalúrgicos se mantém trabalhando. Não tem descanso nessa época do ano”, esclareceu Juca.
Crescimento sustentável
Tanto Roberto Chamma, presidente do Simespi, quanto Wagner da Silveira, o Juca, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, afirmaram que a concessão das férias coletivas aos trabalhadores não provoca prejuízo a essa retomada que está ocorrendo nas empresas da cidade, de negócios e empregos.
“A Indústria já vem sendo penalizada ao longo dos últimos 23 anos. Nesse período, a capacidade produtiva foi minada e as empresas não estão preparadas para uma retomada rápida, nem o mercado sinaliza isso. O que esperamos é um crescimento sustentável da economia para que os empresários possam readequar o maquinário, os processos produtivos. É isso que deve ser feito”, declarou Chamma.
O que dá indicativo de que o crescimento sustentável é possível, segundo ele, é a confiança das pessoas. “O consumidor já está mais confiante e está comprando. Isso começa a movimentar a Economia e leva o País a sair da crise”, comentou.
Para Juca, a esperança é que, a partir de janeiro, novos empregos comecem a ser oferecidos aos trabalhadores. “Teremos um novo governo no País e esperamos que tenha início uma nova conjuntura econômica. Que comece a preparar a retomada do crescimento da Economia e que as empresas voltem a gerar empregos”, comentou.
FONTE: Gazeta de Piracicaba














