A moradora do bairro Bosques do Lenheiro, que pagava o valor mínimo de consumo de água de R$ 37,00, passou a receber uma conta de R$ 480,00. No imóvel de propriedade de Letícia Barbosa de Almeida, residem ela, dois irmãos e a mãe. Com uma faixa exigindo preço justo pela água, ela participou, na noite desta quarta-feira (20), da audiência pública promovida pela Câmara de Vereadores, para discutir a falta de água constante na cidade.

“Minha mãe foi ao Semae e disseram que não tinham o que fazer, ela tinha de pagar. Esse preço não é justo. Já foi verificado que não tem vazamento”, afirmou. A cobrança de valores abusivos nas contas de água tomaram mais tempo das duas horas e meia da audiência do que a falta de água.
Vários casos foram apresentados. O presidente do Semae, José Rubens Françoso, afirmou que é preciso olhar caso a caso. “Às vezes, as pessoas falam a verdade, como que houve algum problema, como esquecer uma torneira aberta. Outras vezes, querem que o poder público resolva o problema. Por isso, tem de olhar caso a caso, para resolver da maneira legal”, afirmou.
O professor Isaac Roston, afirmou que reside sozinho e sua casa não tem vazamento, mas sua conta passou da média de três metros cúbicos de consumo de água por mês para nove. “O valor que pago não mudou, porque o mínimo é 10 metros cúbicos de água, mas, se isso aconteceu comigo, pode triplicar a conta de uma família. Quero saber qual é o problema, é ar que entrou a mais?”, questionou e recebeu como resposta de Françoso: “provavelmente, sim”.
Já o pintor Francisco Araújo, morador do bairro Mário Dedini, disse que participou da audiência porque ficou inconformado com a constante falta de água que atingiu parte da cidade entre o Natal e o Ano Novo. “Andei toda a cidade e vi pessoas que tiveram de comprar água. Isso não pode acontecer”, comentou.
Sobre a falta de água, Françoso disse que a cidade cresceu e há falta de quatro subadutoras de água. A primeira está em fase de licitação e ligará a região do Distrito Industrial Leste (Unileste) ao bairro Dois Córregos. “Com essa tubulação, levaremos mais água para aquela região dos bairros Dois Córregos e Cecap, que tem mais falta de água”, afirmou Françoso.
Inversão de prioridade
A pedido do Observatório Cidadão, o presidente da audiência pública, vereador André Bandeira (PSDB), as perguntas da população foram feitas e respondidas antes das questões formuladas pelos parlamentares. O representante da entidade, Anselmo Figueiredo, relatou, ainda, que o Observatório também pediu que as 26 pulseiras que permitiam a entrada à galeria do plenário a assessores de vereadores, fossem destinadas à população. “Esse pedido também foi atendido pelo presidente da Câmara, Gilmar Rotta”, afirmou.
Nos questionamentos, além dos valores nas contas de água, a população inscrita abordou também a questão do esgoto, da demora no conserto de vazamento de água e da falta de fiscalização nos imóveis que ainda não permitem o acesso dos leituristas ao hidrômetro, fazendo com que a conta de água real desse imóvel não seja cobrada, resultando em prejuízo para toda a população que paga a conta em dia.
Para ele, que também recebeu conta de água abusiva, é preciso melhorar o atendimento da Ouvidoria. “Não está funcionando a contento”, disse. Dois parlamentares deixaram o plenário indignados. O vereador Laércio Trevisan Júnior (PR) não concordou com a alteração da ordem das perguntas e exigiu fazer os seus questionamentos, mas foi embora sem ouvir as respostas.
A deputada estadual, Maria Isabel de Azevedo Noronha, a professora Bebel (PT), saiu da audiência indignada com a condução dos trabalhos. “Não me inscrevi para falar porque perguntei para a funcionária e ela disse que eu não precisava. Fui colocada aqui no plenário, aguardo e não posso me manifestar? É um desrespeito comigo e com a população”, afirmou. Os vereadores questionaram sobre uma solução conjunta para os valores abusivos, sobre o ar que entra na tubulação junto com a água, sobre investimentos e vazamentos.
Todas ainda estavam sendo explicadas pelo presidente do Semae até o fechamento desta edição, às 22 horas. Também participaram da audiência técnicos da autarquia, e convidados representantes da Ares-PCJ (Agência Reguladora de Serviços de Saneamento da Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), como diretor-geral Dalto Favero Brochi.
FONTE: Gazeta de Piracicaba